Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta Velha - Writer

Marta Velha - Writer

'Love is all you need' - :)

15.02.16, Marta Velha

Quem é que nunca cantou esta música? Quem é que não sabe de cor e salteado a parte do 'Aaallll youuuuu neeeeed is loveeeeeee'?

 

Mas já ouviram bem o resto da letra? Boa semana

'There's nothing you can do
That can't be done
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say
But you can learn how the play the game
It's easy'

 

 

A paisagem...Mini conto :)

06.02.16, Marta Velha

Alice olhava para a janela e sorria. Um sorriso distante mas que dizia tudo o que ia na sua alma. Tinha corrido quase a fugir, quase com medo de perder o comboio, quase com medo do que tinha acontecido e agora no seu interior revia as horas que tinha passado com David. Quem diria? Um simples engano num e-mail, uma troca de palavras durante dois meses e agora tinham finalmente estado juntos.

     Quando o viu parado junto à porta da estação de S. Bento reconheceu-o logo! Alto, charmoso, sorridente e com um olhar que aquecia até um iceberg. Suspirou. Sabia que parecia uma adolescente a suspirar por um homem que era pouco mais que um estranho. Mas aquelas horas que passaram juntos tinham sido magníficas. Tinham passeado pelo Centro Português de Fotografia e pela livraria Lello, a fotografia e a escrita era o que unira os dois. Um passeio onde tinham visto muita coisa e tinham conversado sobre tudo e de tudo. E depois, aquele beijo de despedida! Oh que beijo!

     Olhou novamente pela janela. Não via a paisagem via o rosto de David, o seu sorriso, sentia o seu cheiro! Nunca acreditara em amor à primeira vista, mas depois do seu dia achava que estava apaixonada! Completamente perdida de amores por aquele homem! Sentia que eram almas gémeas. Sentia que o conhecia desde sempre.

Não sabia o que iria fazer, mas queria repetir todo aquele seu dia.

     Sorriu e deixou-se embalar pela viagem que ainda seria longa, encostou o rosto à janela. E a paisagem era apenas e só os momentos do seu dia.

 

 

Mini conto :) 'Lembras-te?'

02.02.16, Marta Velha

     Linda. Ela é tão linda!

     Lembras-te de te ter contado que estas foram as primeiras palavras que disse quando te vi?

     Estava com o João. Lembras-te do João, não lembras? O meu amigo! Naquela festa de anos, há quarenta anos…

     Tens que te lembrar… Naquela noite dei-te o meu coração.

     O João apresentou-nos. Rosa, é esse o teu nome. A minha Rosa, como digo tantas vezes. Disse-me que eras a pessoa mais alegre que ele conhecia, sempre feliz, disse-me que eras professora. Lembras-te dos teus alunos? Havia dois que vinham cá a casa muitas vezes, passar as férias de Verão, lembras-te?

     Disse-me que amavas a vida…

     E agora aqui estás tu, presa no teu corpo.

     Ainda me amas?

     Olho para ti e continuo a achar que és linda.

     Quarenta anos… Cada ruga do teu rosto tem uma história para contar. A nossa história! As nossas aventuras!

     Lembras-te de alguma?

     Oh, o dia em que te pedi para saíres comigo!

     Era Verão, passei quinze dias a ganhar coragem para te convidar para sair. Precisei mesmo de ganhar coragem!

     Até gaguejei quando falei contigo. Lembras-te?

     Olhei-te nos olhos e meio a gaguejar meio a correr nas palavras perguntei-te.

     Lembras-te do que respondeste?

     Oh, tinhas uma saia vermelha, uma blusa branca, quase que escondeste o rosto no lenço que trazias a prender o cabelo. O teu ‘sim’ foi tão tímido. Coraste. Mas disseste sim.

     Lembras-te?

     Aquela tarde foi um desastre! Estava tão atrapalhado que a chávena de café caiu da minha mão. Todo eu tremia. Gago, naquela tarde fiquei gago. Depois quis encher o teu copo com o sumo! Oh, parti o copo, deixei cair a garrafa!

     Lembras-te?

     Deste uma gargalhada. Seguraste na minha mão e suavemente disseste que não valia a pena eu estar atrapalhado porque iriamos passar o resto das nossas vidas juntos!

     Lembras-te?

     Tens que te lembrar! O meu coração já era teu naquele dia! Fiquei preso àquela promessa que fizeste. Que ficaríamos juntos para o resto das nossas vidas. Foi há quarenta anos.

     Daí até ao casamento foram apenas três meses. Achei que esses meses passaram tão devagar como mil anos! Era uma tortura não te ter junto a mim! Naqueles três meses disse ‘amo-te’ todos os dias. E ainda digo! Ao fim de quarenta anos ainda digo ‘amo-te’.

     Lembras-te?

     Disse-te hoje de manhã quando te fui acordar. Olhaste para mim e perguntaste quem eu era! Fingi não ouvir! Fomos apresentados há quarenta anos! Pelo João. O meu amigo! O nosso padrinho de casamento. O padrinho da nossa filha, a Joaninha! Sabes quem é a Joaninha. Claro que sabes! Ela ontem esteve cá. Ouvia-a a chorar ao telefone. Dizia a alguém que não te lembravas dela…

     Mas tu lembras-te não lembras?

     Eu sei que sim…

     Como também sei que te lembras do nosso neto. O Diogo! Fez três anos a semana passada. A festa foi linda. Havia balões. Perguntaste o que era aquilo. Eu peguei-te na mão e disse-te o que era. Balões! Até te expliquei como se enchem. Ficaste calada a olhar para eles em silêncio. Depois disso cantámos os parabéns.

     Lembras-te?

     O Diogo sentou-se no teu colo. Abraçou-te. Deu-te um beijo no rosto. Chamou-te avó. Perguntaste quem ele era. A sala ficou em silêncio e eu expliquei-te quem ele era. Quem era a Joaninha. Quem era o nosso genro. Quem eram todos.

     Lembras-te?

     Sorriste. Como é lindo o teu sorriso.

     Linda. És tão linda!

     E agora estás presa no teu corpo, na tua mente. Mas tu fizeste uma promessa. Disseste que ficaríamos juntos para o resto das nossas vidas.

     E eu ainda te amo.

     Lembras-te?

 

Marta Velha

É amor...Mini conto :)

02.02.16, Marta Velha

     “-Adoro este autor!” – Pousou o livro e sorriu. “-As suas descrições são tão boas que nos obrigam a sentir tudo pelo que as suas personagens passam. E é maravilhoso sentir o amor, sentir a paixão, sentir o medo, sentir a raiva, sentir o desejo…” – Abraçou o livro.

     Frederico olhou-a com amor. Há quanto tempo se sentia assim? Tempo demais para saber que estava perdido de amores por Anabela.

     “-Parece que te estás a sentir muito bem com o que leste!”

     “-Muito bem mesmo! É um romance onde os dois protagonistas se amam perdidamente mas recusam-se a aceitar o que sentem! Ou a admitir!”

     “-Às vezes é difícil aceitar o que estamos a sentir! E confessar ao outro é ainda pior.” – Olhou-a com ternura e teve uma vontade enorme de sentir o calor da sua mão junto da sua.

     “-Eu sei… mas isso acontece porque temos medo de uma recusa. E levar um não do outro é como mergulhar numa banheira cheia de cubos de gelo!”

     “-E sentir o frio e sentir arrepios até na alma!” – Deu uma gargalhada. “-Acreditas no amor e em tudo o que ele nos faz sentir e nas loucuras que nos faz fazer e dizer…”

     “-Oh, acredito! Claro que acredito!”

     Frederico ganhou coragem e pegou -lhe na mão. Sentir o seu calor foi como chegar ao céu.

     “-Consegues sentir?” – Sussurrou.

     Anabela fechou os olhos. A brisa soprava suave, o cheiro da primavera chegava até ela fazendo-a sentir-se mais leve mais suave mais apaixonada. Abriu os olhos e fixou o seu olhar no dele.

     “-É amor, não é?”

     “-Se estás a sentir um formigueiro enorme no corpo e uma vontade enorme de me beijar… Sim é amor!” – Sorriu.

     “-Que seja, então!” – E aproximando-se dele beijou-o apaixonadamente, sentindo o seu coração disparar!

Pág. 2/2