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Marta Velha - Writer

Marta Velha - Writer

Jasmim e a força do Amor! :) Peach - filha de Lilac e Camel

19.06.24, Marta Velha

Livro ‘Jasmim e a força do amor’

Podem comprar aqui: https://publish.chiadobooks.pt/books/272446

Peach correu pelo campo de papoilas com todas as forças que tinha. As suas asas ainda não estavam preparadas para voar, apenas porque Camel e Lilac não queriam, não deixavam. Todas as fadas da sua idade voavam ou andavam sozinhas pelos campos e nas fontes de água. Podiam banhar-se nos ribeiros que atravessavam os campos de flores. Ela não! A ela tudo estava vedado. Não podia andar sozinha, não poda colher flores sozinha, não podia banhar-se nos ribeiros. Tinha que andar sempre com Aniana ou com Shiny ou com outra fada que lhe pudesse servir de ama. A situação era motivo de risadas entre as suas amigas. Estava farta. Nem hoje na cerimónia de passagem à vida adulta podia estar sozinha. Teve que fugir. Na realidade teve que fechar Aniana no armário dos vestidos e correr. Correr muito! Não aguentava mais! Odiava tudo o que a rodeava, culpava Lilac e Camel por tudo.

     Peach tinha-se escondido num ramo da Árvore da Simpatia. Estava irritada com a cerimónia que ia decorrer. Nesta altura sabia que o seu pai devia ter colocado todas as fadas do reino à sua procura, também sabia que facilmente seria encontrada. Cruzou os braços e olhou para o seu vestido. Era um vestido da sua cor preferida. Cor de pêssego. Um vestido de cerimónia feito com o mais fino dos tecidos, bordado com flores pelas fadas artesãs. Aniana tinha-lhe feito tranças no cabelo e as mesmas estavam enfeitadas com flores. Flores da árvore do pessegueiro. Agora tinha o cabelo num desalinho, algumas tranças tinham-se desfeito e algumas flores tinham caído. Já para não falar do vestido que se tinha rasgado durante a corrida, mas não se importava! Tinha fugido e isso sim era importante!

     “-Podes sair daí!”

     Peach voltou a cruzar os braços. Lilac, sua mãe tinha-a descoberto.

     “-Não me apetece!” – Disse muito aborrecida.

     “-Posso sempre ser eu a ir buscar-te mas sinceramente já não tenho idade de andar a subir aos ramos das árvores.” – Ficou em silêncio durante algum tempo. “-E além disso estás a ser uma fada criança.”

     “-Mas se é assim que todos me tratam! Como uma criança irresponsável e que não sabe o que faz. Aliás, que não pode fazer nada!”

     “-Desce. Temos muito que falar. Camel está irritadíssimo contigo!”

     Peach escolheu os ombros. “-Não quero saber! Que esteja!”

     “-E Isolis está preocupado com o que te possa acontecer!”

     “-Isolis é um traidor! Tudo o que lhe conto, ele correr a contar-vos! Não posso confiar em ninguém! Querem que vá à cerimónia de passagem mas tratam-me como se tivesse acabado de nascer!” – A sua voz saía embargada.

     “-Sabes bem que Isolis quer o teu bem!”

     “-Ah, ah, ah!” – Ria de maneira irónica. “-Não me parece. É um queixinhas!” – Isolis tinha-se tornado como um irmão mais velho para Peach. Muito protector em relação a tudo o que ela fazia. Dava-lhe conselhos e não deixava que ninguém a magoasse, nunca o permitiria!

     “-Peach, desce por favor. Temos muito que falar.” – O tom era autoritário.

     Peach retorceu os olhos. Não gostava quando a sua mãe ficava séria demais. Era sinal que o assunto era realmente bastante sério. Sabia que havia algo que perturbava a mãe desde o seu nascimento mas nunca ninguém se atreveu a comentar consigo o que era. Parecia mesmo um assunto proibido em todo o Reino e arredores, já agora! Sentia que a mãe a amava, isso era um facto mas também sabia que a mãe tinha medo de alguma coisa. O que seria?

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Bom dia! :)

19.06.24, Marta Velha

     Boooooooooooom diaaaaaaaaaaaaaa nesta maravilhosa manhã de quarta feira, meia chuvosa!!

     Pelo menos aqui em Viseu, o tempo está meio cinzento e chuvoso! 

  

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Amor de Deus! :) Luís ameaça Maria

18.06.24, Marta Velha

E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés em lugar espaçoso.

Salmos 31 - 8

Livro 'Amor de Deus'

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     Luís estava sentado na mesa do café há algum tempo, sabia que ali podia encontrar uma resposta. Brincava com o menu, mas começava a ficar impaciente. Bufava e olhava constantemente para a porta. A rapariga que o tinha atendido informou-o que a colega Margarida entrava mais tarde. Resolveu esperar e pediu uma cerveja para ir aclarando as ideias. Sabia que seria difícil sacar alguma informação a Margarida mas não custava nada tentar. Quando a porta se abriu reparou que finalmente Margarida chegara.

     A colega disse-lhe algo ao ouvido e ela olhou na sua direcção. Fez uma cara de desagrado mas nem Luís esperava outra coisa.

     “-Posso saber o que fazes aqui? Não quero problemas no meu local de trabalho…” – Cruzou os braços na defensiva.

     “-Tem calma Margarida, não vim causar problemas nenhuns. Apenas quero falar contigo. Só isso.” – Tentava soar amistoso.

     “-Diz lá o que queres…”

     “-Sabes alguma coisa da Maria?”

    Margarida deu uma gargalhada irónica. “-E achavas que se eu soubesse te dizia? Nem morta!!”

     “-Eu não sei o que ela andou por aí a espalhar, mas é tudo mentira!!” – Irritou-se. “-Ela é que é uma ingrata!”

     “-Para que saibas, ela era tão burra que te defendia!! As nódoas negras denunciavam-te, mas ela nem a boca abria!! Nada!! Ai caí! Ai tropecei! Ai fui contra a porta! Da primeira vez acreditei, mas depois?? Ninguém é assim tão burro para acreditar no que ela dizia. Batias-lhe e nem piedade sentias!! A Maria era tão doce amava-te tanto! Não mereces respirar o mesmo ar que ela!”

     Luís levantou-se furioso. “-Diiiz-me ondee é que elaaa estáa!!!!” – E bateu com a mão na mesa.

     “-Catarina chama a polícia que este senhor parece que não gostou muito da cerveja!!” – Gritou para a colega que estava ao balcão.

     Nisto, dois clientes que estavam junto da porta levantam-se. “-Precisa de ajuda, menina?”

     “-Se ele não sair já, sim preciso!!”

     “-Ela pode correr, fugir mas eu vou encontrá-la e quando o fizer, aí sim não terei nem dó nem piedade. Ela sem mim não é nada! Naadaa!! Percebes?? Nadaaa! É uma cabra que não serve para nada!! Ela deve-me tudo, percebes? Ela é minha! Sem mim não é nada!” – Fez um ar que assustou Margarida. “-Se ela não for minha até aos fins dos nossos dias não será de mais ninguém! Podes dizer-lhe isso!”

 

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Graffiti do dia! :)

18.06.24, Marta Velha

Boaaaaaaaaaaaaaaaa tardeeeeeeeeeeeeeee!!! 

E hoje o graffiti do dia diz: 

 

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Jasmim e a força do Amor! :) Reino da Escuridão

18.06.24, Marta Velha

Livro ‘Jasmim e a força do amor’

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     Na escuridão do dia o grito ecoou. Witchy. Um grito agudo, mas tão forte, capaz de derrubar qualquer um. Todos os seres maléficos sabiam que o grito era de Witchy, só ela tinha capacidade de gritar assim.

    “-Não!! Não!! NÃO!” – O grito agudo e assustador fez-se ouvir em todo o Reino da Escuridão. Os seus olhos ficaram raiados de sangue, o seu rosto transpirava, as suas mãos tornaram-se ásperas. O seu coração maléfico parara. Não podia ser verdade o que o espelho lhe mostrava!

     Os seres mais assustadores do reino temeram aquele grito e o que ele poderia representar. Sabiam o que a fúria de Witchy era capaz de fazer a quem tivesse errado. O que seria desta vez?

     Witchy andava de um lado para o outro enfurecida. Dos seus pés saía fogo. Necessitava de destruir algo, de se vingar pelo que estava a acontecer. Não podia simplesmente estar a acontecer! Era mau de mais!

     Na masmorra da sala estava um humano. Witchy olhou-o com desprezo. Como é que ele se tinha atrevido a atravessar no seu caminho?

     Abriu a mão fazendo sair raios de luz dela. “-Seres do mal, seres da escuridão que este humano possa ficar sobre a minha servidão!!” – Os raios atingiram o humano no peito, o seu corpo inerte começou a encolher. A sua pele começou a ficar mais escura, preta. O ser corpo ficou coberto de penas negras e lustrosas. Os seus pés transformaram-se em patas, os seus braços deram lugar a duas asas. Da boca nasceu um bico. O seu corpo encolhia, tomava outra forma. O que estava a acontecer? O humano depressa se transformou num corvo. Um corvo assustado e sem perceber muito bem onde estava. O animal começou a crocitar. Batia as asas tentando fugir da masmorra onde se encontrava mas as barras da masmorra pareciam segurá-lo. Era impossível sair dali!

     “-Pára animal desprezível!! Pára!!” – E a luz que saiu da sua mão paralisou o animal fazendo-o cair no chão. “-Chamem a Hugly! Já!”

     “-Maldito espelho!! Tens que estar errado! Muito errado! Lully não pode ter visitado Lilac! Não pode!!” – E atirou um livro contra o objecto que lhe mostrava Lully. A sua vingança devia ter começado por Lully! Assim não havia mais fadas a nascer no Reino Encantado. Como é que não se lembrara disso antes?? Lully! Lully era a culpada de tudo. “-Maldita fadaaaa!!” – Gritou novamente.

     Hugly aproximou-se a medo. Andava devagar, com passos pequenos. Era uma velha bruxa já curvada pela idade, o rosto enrugado fazia denotar essa mesma idade. Vestia de vermelho, um vermelho vivo. Dizia quem a conhecia que antes as suas vestes eram pretas.

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Amor de Deus! :) Dona Carminda :)

17.06.24, Marta Velha

Livro 'Amor de Deus'

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Dona Carminda chegou a casa e pousou as sacas das compras na mesa da cozinha. Sentia-se cansada da caminhada e de subir as escadas. Não queria admitir, mas os anos começavam a pesar-lhe. Longe iam os anos em que andava ligeira e nunca se cansava. Procurou a sua gata mas não a encontrou. Aquela era a sua única companhia desde que ficara viúva e desde que Sãozinha também partira. Começou a preparar o jantar e enquanto a panela ficou ao lume sentou-se junto da mesa da cozinha. Abriu uma pequena caixa de metal que estava cheia de fotos antigas. Pegou uma a uma e olhava-as com bastante saudade. Numa delas, uma rapariga nova estava com dois bebés ao colo. Gémeos. Tão bonitos que eram, tão iguais! Tão sorridentes e sem saberem a verdade!

     “-Ai Sãozinha, as voltas que a vida dá. Partiste sem contar o teu segredo a teu filho. Não sei que será deste rapaz. Parece-me que anda de amores por uma rapariga que não é cá da terra. Hoje fiz uma boa acção. Nem acredito que a rapariga fosse viver para uma casa a cair. Segundo o João do Cimento, ficará muito bonita. Simples mas bonita!” – Suspirou. “-O teu rapaz é bom de coração. Um amor de rapaz. Tem um coração do tamanho do mundo. Mas os seus olhos mostram tantas dúvidas! Deve estar confuso. É padre, ama uma mulher. Não deve ser nada fácil!” –  Sentiu a sua gata a roçar nas suas pernas. “-Onde tens andado Fifi? Não devias sair à noite. Vamos acabar o jantar.”

     Dona Carminda era viúva há muitos anos. Tinha chegado à terra há pouco mais de um mês quando conheceu o que viria a ser seu marido durante mais de vinte anos. Era um senhor já viúvo, mais velho que ela cerca de vinte anos. Sem filhos e desgostoso pela morte lhe ter levado a companheira de uma vida. Dona Carminda não tinha casado por amor. Começou a trabalhar na casa de Afonso e ele acabou por declarar a sua necessidade de uma companhia. Entre ambos havia um carinho muito especial e sempre se deram bem. Dona Carminda fazia de tudo para que Afonso se sentisse bem e Afonso preocupava-se bastante com o bem-estar de Carminda. Fazia-lhe todas as vontades. Foi um passo até a pedir em casamento.

     Quando chegou a Bemposta, trazia em sua companhia Maria da Conceição. Uma rapariga nova e muito bonita. Grávida de gémeos e de olhar triste e cabisbaixo. Tinha vergonha. Uma vergonha enorme pela barriga que exibia. Infelizmente Sãozinha levara o segredo para a cova. O segredo e o desgosto.

 

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Jasmim e a força do Amor! :) A maldição de Lilac é quebrada

17.06.24, Marta Velha

Livro ‘Jasmim e a força do amor’

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Lilac continuava deitada apesar do avançar da hora. Sentia-se zonza, sem força nas asas e sem força nas pernas. Tudo parecia andar à roda, o quarto perdia a cor. Nem o céu azul e o sol quente que despertavam lá fora a animavam. Sentia-se mal pelo sonho, sentia-se perdida por não saber se era ou não verdade. Queria que fosse... Queria tanto que fosse verdade! Queria tanto que a maldição fosse quebrada! Queria tanto um filho! Mas assustava-a o destino! O destino que Jasmim traçara. O destino de o seu descendente ter que salvar o mundo juntamente com o descendente de Jasmim! Conteve-se para não chorar. Todas as profecias eram reais, todas acabavam por acontecer mais tarde ou mais cedo. Mas como?

      Aniana bateu na porta e esperou por uma resposta. Quando a recebeu entrou. Adorava o quarto de Lilac. Era todo em tons de lilás. Uma das paredes estava pintada com pequenas flores de alfazema. A cama era em forma de flor, as pétalas caíam até ao chão. Havia um dossel, um dossel com um tecido tão fino como as teias tecidas pelas aranhas. Um dia iria querer um quarto assim.

     “-Lilac trouxe fruta fresca. A tua preferida. E trouxe leite de figos. Vai fazer-te sentir muito bem.” – Sorriu.

     Lilac sentou-se na cama. Não tinha certezas de nada mas desconfiava. E tinha que o dizer a alguém. Tinha as palavras entaladas na garganta e tinham que sair! Apenas tinha que dizer. “-Sonhei com Lully!” – Disse sentindo-se a libertar de um sufoco. As palavras saíram!

     “-Oh! A fada protectora. Isso quer dizer que...” – Aniana sorriu. A fada protectora aparecia em sonhos a todas as fadas que iam ser mães. Acariciava-lhes a barriga e dava-lhes uma cor. Por vezes traçava-lhes o destino. Outras vezes deixava que fossem as próprias a traçá-lo.

     Lilac sorriu e acariciou a barriga novamente. Aquele formigar fazia-lhe cócegas mas ela sabia tão bem o que significava. “-Terá uma pele tão suave como um pêssego. Será rosada, bonita mas...” – Chorou. “-Alguém a quererá roubar de mim e... Foi esse o destino traçado.” – Limpou os olhos. “-Pelo que percebi esse destino poderá mudar mas…”

     Aniana agarrou a mão de Lilac. “-Não penses nisso agora, por favor. Tenho a certeza que Camel tomará conta de vocês. E Sebastian nunca permitirá que alguém passe aqueles muros. Ninguém!” – Quase que sentia a dor que percorria a alma de Lilac.

     Lilac queria ter assim tantas certezas mas não tinha. O feitiço estava quebrado e ia ser mãe mas e o resto? Jasmim já devia ter encontrado o amor ou estava perto de o encontrar. Mas e quem roubaria a sua pequena fada que vinha a caminho? Tinha que ser Witchy...

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Segunda feira!! 25 de 53! ;)

17.06.24, Marta Velha
Não sou de intrigas mas 2024 tem 53 segundas-feiras!!
Segunda-feira 25 de 53
 
Feliz segunda-feira!
 

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Boaaaa noiteeee!! :)

16.06.24, Marta Velha

Quando se diz pouco mas se deixa os leitores com cara de... segunda feira!! 

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Amor de Deus! :) Afinal dona Carminda tem bom coração

16.06.24, Marta Velha
Livro 'Amor de Deus'
 
O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.
Romanos 13-10
 
 
 
Dona Carminda ficara com a pulga atrás da orelha desde a última missa a que assistira. Sabia que a sua natureza era mesmo assim! Tinha de saber tudo o que se passava na localidade. E sabia bem que aquele pedido não era nada normal.
Era raro Dona Carminda entrar na drogaria do João do Cimento. Mas a curiosidade levara-a a entrar para saber de quem o padre falara depois da missa.
“-Boa tarde João.”
“-Oh Dona Carminda bons olhos a vejam. Há muito que não a vejo por cá. Procura pregos, é?”
“-Hoje não.” – Esboçou um sorriso, desde que se lembrava só comprara pregos na drogaria. “-Procuro uma informação. Apenas isso. E apenas se souberes.” – Debruçou-se sobre o grande balcão de madeira, sussurrando. “-O padre Francisco está a fazer uma vaquinha para ajudar quem? Sabes? Como ele falou aqui na tua loja…”
João pigarreou. “-O padre confiou em mim Dona Carminda. Não devo dar essa informação a ninguém. Quando se quer ajudar, ajuda-se. Não importa se é à se é b se é c…” – Tentou disfarçar mexendo num caderno.
“-Eu sei rapaz, eu sei… E eu gosto de ajudar mas precisava de saber se as minhas suspeitas estão correctas…”
“-Pode fazer o donativo aqui. Tal como foi falado pelo padre Francisco os materiais serão apenas a preço de custo. Quando o padre me falou abdiquei logo dos ganhos. Também quero ajudar!”
“-Rapaz, eu pago toda a despesa em causa. Apenas preciso de saber quem é a pessoa em questão. E a outra condição é este donativo ser anónimo. Nem o padre nem ninguém pode saber que fui eu que dei o dinheiro.” – Sorriu.
“-Oh Dona Carminda está a deixar-me numa situação má. Mesmo entre a espada e parede. Só paga se eu lhe disser quem é… e eu fico com a consciência pesada. E se eu não souber quem é?”
“-Se não soubesses já mo tinhas dito.” – Fez um ar zangado.
“-Será um segredo nosso, então. É isso?”
“-Isso mesmo.”
“-É para arranjar a casa do falecido Zé da Mula. Parece que a neta dele está lá a viver e faltam algumas condições.” – Levantou o sobrolho. “-Algumas…Todas! Fui lá fazer um levantamento do que era necessário e… Coitada da moça! Há currais de animais mais arranjados que aquela casa!”
Dona Carminda dá uma palmada no balcão. “-Ah ah… bem me parecia!!”
“-Dona Carminda…”
“-Eu pago tudo. E podes mandar ligar a luz e a água… tudo por minha conta. E se souberes que ela precisa de mais alguma coisa é só meteres na minha conta. Mas nada de dizeres que fui eu a quem quer que seja!! Nego tudo e não pago nem um cêntimo furado! Percebeste??” – Disse num tom a roçar o zangado.
João do Cimento sabia que se Dona Carminda desconfiasse que ele tinha só sugerido o nome dela que aquela promessa seria cumprida! “-Não se preocupe que ninguém saberá. Juro pela alma da minha mãezinha, que Deus a tenha no eterno descanso.” – Benzeu-se e olhou para o alto.
“-Faz as contas a tudo que amanhã passo por cá. Não te esqueças de avisar o padre Francisco, mas sem nomes rapaz. Sem nomes!!” – E saiu.
 

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