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Marta Velha - Writer

Marta Velha - Writer

Amor de Deus! :) Francisco confronta Maria com a verdade :)

11.06.24, Marta Velha
Beijados serão os lábios do que responde com palavras rectas.
Provérbios 24 - 26
 
Livro 'Amor de Deus'
Maria estava sentada na cama, o mesmo aspecto do dia anterior. Cabelo em desalinho e bochechas rosadas. Almoçava vagarosamente. Francisco entrou no quarto muito sério e fixou o seu olhar no dela. Seria possível?
“-Bom dia senhor Francisco.”
“-Bom dia.” – Falou num tom grave.
Maria olhou-o, achava-o estranho e muito sério. O seu olhar estava diferente. “-O médico deu-me alta.” – Falou timidamente.
“-Eu sei. Falei com ele ontem e como tal trouxe-lhe isto.” – Deu-lhe um saco com roupa.
Maria ficou a olhar para o saco. Abriu-o e reparou que tinha a sua roupa. Tal só era possível se…
“-Porque me mentiu?” – Francisco foi directo.
Maria baixou o rosto e começou a chorar, um choro silencioso.
“-Estive na casa que era do seu avô… Achei impossível, mas… Não percebia o porquê de o médico dizer que estava desidratada e mal nutrida… E afinal…Porquê Maria? Porquê?” – Interrogava-a não por aquela situação em concreto mas por tudo.
Maria não respondeu, limpou as lágrimas. Estava com imensa vergonha. E tinha medo de olhar para Francisco. A dor na voz dele era notória. E se ele tivesse algum gesto mais bruto? Que faria?
“-Eu teria entendido Maria. A sério que tinha. Não merecia estar nesta cama de hospital…” – Respirou fundo. “-A casa não tem luz, não tem água. Está limpa, claro que está! Mas falta-lhe tanta coisa. Nem pode conservar comida nas devidas condições!”
Francisco ficou em silêncio durante muito tempo. Esperava uma resposta por parte de Maria. Esta brincava com os dedos.
“-Eu dou-lhe tempo… Tudo bem…” – Francisco ia a sair.
“-Não vá embora. Por favor. Não tenho mais ninguém…” – Sussurrou.
Francisco parou a sua marcha. Aquelas palavras doeram-lhe na alma. Uma dor forte como se alguém próximo de si tivesse morrido. E se havia alguém que conhecia aquele tipo de dor era ele.
“-Maria.” – Sussurrou também sem força para dizer mais nada. Aproximou-se dela e abraçou-a com muita ternura. Não queria admitir mas abraçou-a com amor.
“-Desculpe. Eu não sabia o que fazer e a mentira foi um recurso. Desculpe-me por favor.”
Francisco limpou-lhe as lágrimas e beijou-a na testa.
 

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