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Marta Velha - Writer

Marta Velha - Writer

Jasmim e a força do Amor! :) Jasmim na Terra dos Humanos

21.06.24, Marta Velha

Livro ‘Jasmim e a força do amor’

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Jasmim tinha chegado à terra dos humanos há imensos anos. Tinha-lhes perdido a conta, parecia que passavam devagar, sem nenhuma pressa. A vida não era fácil no Reino onde se encontrava. Evitava falar com os humanos que por si se cruzavam. Recordava-se dos primeiros dias na terra. Ficara tão assustada. Tinha caído sobre um descampado não havia nada à sua volta, nem uma única casa. E a natureza há muito que tinha fugido daquele local. Tudo o que havia era seco, sem vida e sem cor. Andou dias a fio até encontrar um espaço que fosse minimamente parecido com o seu Reino Encantado. Chegou a um lugar, o lugar onde ainda hoje estava. Havia árvores, havia erva, havia algumas flores e o que mais a fascinou foi o pequeno ribeiro de água transparente que atravessava aquele terreno. Lembra-se de na altura olhar em redor e de se sentir em casa. Sabia que faltava ali muita coisa para se parecer com o seu Reino, mas para já servia. Por sorte havia uma pequena casa em ruínas que lhe serviu de abrigo. Arranjou o telhado com ramos secos, com paus fez uma pequena cerca que rodeava toda a casa. Chamava-lhe o seu local seguro, ali não haveria nem sombra da noite nem nenhum ser da escuridão que pudesse passar para além daqueles frágeis paus. Com o tempo a natureza daquele lugar tornou-se sua amiga e depressa flores cheias de cor encheram o lugar.

     Agora passava os dias na companhia das flores e das restantes plantas. Tinha conhecido plantas novas que a ajudavam em muito nas suas poções. Fazia misturas novas, tinha novos conhecimentos. Falava com os animais da floresta. À noite procurava outras fadas, sentia a falta das brincadeiras que sempre tivera com elas. Nunca esquecera o Reino Encantado, era impossível esquecer os seus amigos, a sua família, as suas origens. Às vezes dava por si a olhar o céu, tinha esperança de este lhe trazer alguém de lá. Como era duro não sentir o amor de um abraço. Um abraço forte que a fizesse sentir segura e amada. Sabia de tudo o que se passava através da sua amiga Aniana. Felizmente tinha descoberto uma maneira de comunicarem através das águas virgens daquele lugar.

     Sentou-se junto do pequeno riacho. Descalçou as alparcas e deixou-se estar a banhar os pés. A água fria fazia-a arrepiar-se, mas ajudava-a na sua purificação. Brincava com os seixos que encontrava junto da margem. Encontrou dois em forma de coração.

     “-Oh! É isto que é o símbolo do amor! Serás tu que me vais proteger.” – Guardou as pequenas pedras no bolso e suspirou. Queria ver Lilac, queria ver como estava Peach. Sentia pena por não conviver com a mais nova das fadas. Sabia que iam ser amigas, muito amigas. Que amariam as mesmas coisas. Abriu o pequeno saco de couro onde guardava as poções mais utilizadas.

 

     Fadas da Água, fadas do Ar

     Levem-me ao Reino Encantado

     Para ver o que se está a passar.

 

     Lançou uma quantidade de pó na água e esta tornou-se num espelho fazendo reflectir o que se passava no Reino Encantado. Acariciou a água. Até então não sabia o que era a saudade, não sabia o que era chorar pela perda de alguém. Mas havia noites em que olhava para o céu da Terra dos Humanos e chorava. Chorava por não poder tocar nas estrelas, chorava por ter perdido as suas asas. Estava a pagar por querer conhecer outros mundos. Estava a sofrer pelo seu destino. Não sabia se iria aguentar todas as tormentas, não sabia se iria encontrar o homem que a amaria. Respirou fundo.

     Viu Aniana a brincar com os nenúfares. Tinha-se tornado uma bela fada em tons de azul. As suas asas tinham feitios recortados e agitavam-se levemente sempre que Aniana passava por algum tipo de sentimentos diferentes. Viu-a a olhar em todas as direcções. Tinha sentido a sua presença. Apanhou um nenúfar com a mão.

 

capa jasmim.png