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Marta Velha - Writer

Marta Velha - Writer

Para recordar! :)

10.10.22, Marta Velha

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O tempo passou sem darmos por isso! Passou e ficou ali entre nós! Vagueou e cresceu deixando entre nós uma montanha. O mesmo tempo que às vezes é mau o suficiente para apagar as boas memórias, e pior ainda quando teima em recordar as más!
Dizem que o tempo cura tudo, mas o nosso tempo recusou-se a curar o que nos separou!
E foi passando, esse tempo que às vezes é lento e demora mil anos a passar! Outras vezes tão rápido que o dia parece um mero segundo.
E o tempo passou por nós, deixou o seu silêncio, os seus medos e fez-nos perder as forças, desvaneceu sorrisos e esfriou o calor dos abraços.
O tempo, esse que se recusa a voltar atrás! Mas, e se voltasse? Seria o tempo suficiente para fazer tudo de outra maneira?
Tempo, dá-nos mais tempo para pensar, para recordar tudo o que houve de bom. E tu tempo que nos separaste, que ainda pairas sobre nós, não apagues o que foi bom! Mesmo que passes lento, mesmo que as memórias façam doer, dá-nos tempo!
Mas se tu tempo teimas em ser mau, o destino é como um bom jogador de cartas. Vem devagar, baralha as nossas vidas assim de uma maneira tão ágil que nem tu, tempo, dás por isso!
E ficámos ali parados, olhos nos olhos, de sorriso tímido, e o tempo ali a navegar entre nós e a deixar-nos sem saber o que fazer! Vá destino, leva este tempo embora! Traz-nos os sorrisos de volta e os abraços! Agora que nos voltaste a juntar que nem o tempo nos separe! Porque tu destino és mais forte que todo o tempo do mundo!
Caminhámos devagar em direção um do outro, o sorriso tímido começou a encher-nos o rosto e o calor dos nossos braços envolveu-nos! E o destino levou o silêncio deixado pelo tempo e as longas conversas de outrora voltaram.

E matámos o tempo que pairou entre nós, esse tempo que afinal não matou o que sentíamos. Porque o tempo, às vezes tão grato, às vezes tão ingrato, às vezes tão suave, às vezes tão áspero, às vezes tão lento, às vezes tão rápido, só faz bem a quem depende dele para continuar a amar.
E o amor, esse recomeçou como se o tempo nada lhe tivesse feito. E afinal temos que agradecer ao tempo, porque só nos fez desejar matar as saudades de nós! E que haja sempre, entre nós, tempo um para o outro!